Premiê Binyamin Netanyahu chama medida de 'falência moral' e diz que bloco europeu cria falsa simetria. Assentamentos são ilegais para a comunidade internacional, que reconhece o território como sendo palestinoPorto Velho, Rondônia - A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (11) que vai aplicar sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, uma medida que acaba com impasse sobre o assunto no bloco.
Ações do tipo eram bloqueadas havia meses pelo governo do húngaro Viktor Orbán, aliado do governo de Binyamin Netanyahu e derrotado em eleições por Péter Magyar, que tomou posse no sábado (9) com promessas de reaproximação de seu país com a Europa.
"Era hora de superarmos o impasse e agirmos. Extremismos e violência têm consequência", afirmou a estoniana Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco europeu, em publicação no X na qual também disse que a medida atinge figuras proeminentes do Hamas. Não há, por enquanto, detalhes sobre os indíviduos alvo das sanções.
O governo israelense reagiu ao anúncio com críticas duras à UE. "Enquanto Israel e os EUA estão 'fazendo o trabalho sujo da Europa' ao lutar pela civilização contra lunáticos jihadistas no Irã e em outros lugaers, a União Europeia expõe sua falência moral ao estabelecer uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas", publicou a conta do gabinete de Netanyahu no X.
A referência do premiê foi à declaração do primeiro-ministro da Alemanh,a Friedrich Merz, em junho do ano passado, que afirmou que o Estado judeu estava "fazendo o serviço sujo por todos nós" ao atacar o Irã, no que ficou conhecido como guerra dos 12 dias em Israel.
A mensagem de Tel Aviv carrega ainda um dos principais debates e polêmicas relativas à Cisjordânia: a ocupação do Estado de Israel do território palestino, assim reconhecido pela maioria da comunidade internacional, inclusive o Brasil.
"Políticos europeus são coagidos por seus eleitores radicais, mas sancionar judeus por viverem na Judeia e na Samária é inaceitável. Judeia é de onde vêm os judeus, e Israel vai sempre proteger os direitos dos judeus de viverem no coração de nossa pátria ancestral", afirma a publicação.
Judeia e Samária são os termos oficiais de divisão administrativa usados por Israel para se referir à Cisjordânia. Esse território palestino, assim delimitado pelo plano de partilha da área desenhado pela ONU em 1947, foi ocupado pela atual Jordânia até 1967, quando Israel toma controle do território durante a Guerra dos Seis Dias.
Em 1993, os Acordos de Oslo criaram três áreas dentro da Cisjordânia: uma (a menor) sob controle da Autoridade Nacional Palestina, outra sob controle partilhado, e uma terceira, maior, sob controle de Israel.
É nesta terceira onde se concentra a maioria dos assentamentos judeus que, sob a ótica do direito internacional e, em alguns casos, até mesmo sob a legislação israelense, são ilegais -Israel aprova novos assentamentos, e locais sem aprovação estão, em tese, fora da lei.
Isso não impede, contudo, que colonos ocupem terras palestinas a despeito de possuírem autorização, e muitos deles agem com violência contra moradores palestinos, o que não é coibido nem pelo Exército nem pela polícia israelense, ambos atuantes no território a despeito de serem forças ocupantes, o que resulta com frequência em mortes e em um clima perene de medo e insegurança na região.
Na prática, a política israelense, em particular sob a coalizão de direita radical que sustenta Netanyahu no poder e após a guerra na Faixa de Gaza, incentiva novas ocupações.
"A iniciativa dos assentamentos não será dissuadida. Continuarem a construir, a plantar, a defender e a colonizar por toda a terra de Israel", afirmou o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, após o anúncio europeu, chamando o bloco de "união antissemita".
O que Ben-Gvir chama de terra de Israel é motivo de debate no país, e em sua concepção maximalista defendida pelo campo político do ministro radical, inclui território muito além da Cisjordânia, estendendo-se do Egito ao Iraque e do Líbano a partes da Arábia Saudita.
Fonte: Notícias ao Minuto


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