Primeira-ministra dinamarquesa afirma que aceita dialogar sobre reforço militar no Ártico com EUA e Otan, mas rejeita qualquer negociação que envolva perda de soberania da Groenlândia, após declarações e recuos de Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos - Foto: Divulgação Na véspera, Trump havia reiterado que não abriria mão do controle da ilha, embora tenha descartado o uso da força. Após conversar com o secretário-geral da aliança militar ocidental, o presidente suspendeu tarifas que havia imposto a Copenhague e a outros sete aliados europeus, que enviaram um pequeno contingente militar à Groenlândia em apoio à Dinamarca.
Os episódios ocorreram em Davos, na Suíça, onde líderes participam do Fórum Econômico Mundial.
“O Reino da Dinamarca deseja continuar engajado em um diálogo construtivo sobre como podemos aumentar a segurança no Ártico, inclusive em relação ao Domo Dourado dos EUA, desde que isso seja feito com respeito à nossa integridade territorial”, disse Frederiksen.A primeira-ministra se referia ao escudo antimísseis planejado por Trump. Atualmente, uma das principais bases americanas de monitoramento de ataques nucleares da Rússia e da China está localizada em Pituffik, na Groenlândia. A ilha é considerada estratégica por sua posição no Ártico e por ser rica em recursos minerais.
Também em Davos, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, tentou afastar a discussão sobre controle territorial da pauta. Ele afirmou que o tema não foi tratado na conversa com Trump e que eventuais negociações envolverão Estados Unidos, Dinamarca e a própria aliança.
Segundo Rutte, qualquer decisão sobre o aumento da presença militar na ilha caberá aos comandantes da Otan, que reúne 32 países, sendo 30 europeus, incluindo a Dinamarca. “Não tenho dúvida de que podemos fazer isso rapidamente. Tenho esperança de que aconteça já em 2026”, disse, ressaltando que a preocupação central é a defesa do Ártico diante da atuação crescente da Rússia e da China.O tom entre os europeus é de otimismo cauteloso, apesar do discurso incisivo de Trump. O recuo de última hora, com a suspensão das tarifas de 10%, evitou uma possível retaliação comercial da União Europeia que seria discutida nesta quinta-feira.
Ainda assim, permanece a dúvida sobre se a ofensiva retórica de Trump foi apenas uma estratégia de negociação, que colocou a Europa sob pressão e levantou questionamentos sobre a solidez da aliança criada pelos EUA em 1949 para conter Moscou.
A iniciativa também ocorreu em meio a outros movimentos da política externa americana, como a recente operação militar para capturar Nicolás Maduro em Caracas e a escalada de tensões no Oriente Médio, que alimentam especulações sobre uma possível ação futura contra o Irã.
Fonte: Notícias ao Minuto


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