
Vereador Marcos Combate
Porto Velho, Rondônia - O vereador Marcos Combate (AVANTE) subiu à tribuna da Câmara Municipal de Porto Velho para fazer uma série de denúncias graves contra a atual gestão. Em seu discurso, o parlamentar apontou o que chamou de práticas irregulares dentro de secretarias municipais e no sistema de ensino da capital, sugerindo que a máquina pública estaria sendo usada para fins eleitorais e de pressão política.
Coação por votos: A denúncia principal
O ponto central da fala do vereador foi a denúncia de que servidores comissionados estariam sendo coagidos a ajudarem na campanha do irmão do prefeito. Segundo Combate, na Secretaria Municipal de Regularização Fundiária (SEMDEC), funcionários em cargos de confiança estariam sendo obrigados a conseguir votos para o irmão do prefeito Paulo Moraes Júnior (PODEMOS), que concorre a uma vaga de deputado estadual. O vereador afirma que a exigência é clara: cada comissionado precisaria entregar 30 votos para o candidato.
"Lá dentro da SEMDEC está uma pressão louca sobre o servidor público", denunciou Combate, citando o clima de intimidação que estaria sendo imposto no ambiente de trabalho.
"Jogo de cadeiras" e recomendações do TCE
Outra acusação feita pelo vereador diz respeito a um suposto esquema de nomeações e exonerações. De acordo com Marcos Combate, servidores estariam sendo exonerados e, uma semana depois, readmitidos. Para o parlamentar, a prática teria um objetivo específico: "Está na cara de qualquer bom entendedor que exonera o cidadão para conversar com alguém, fez o acordo, aperta as mãos para ajudar o prefeito", afirmou. A denúncia levanta suspeitas de que as trocas de cargos serviriam para alinhar servidores a compromissos políticos, o que pode configurar improbidade administrativa.Combate ainda lembrou que a prefeitura já recebeu recomendações do Tribunal de Contas (TCE) para ajustar as contas públicas, incluindo a exoneração de funcionários e a redução de contratos. Diante das novas suspeitas, o vereador pediu a intervenção do órgão de controle: "Eu acredito que os órgãos de controle, o TCE, precisa investigar as nomeações que são exoneradas".
Crise na educação e falta de transparência
A crise na educação também foi um tema central do discurso. O vereador criticou duramente a gestão municipal por, segundo ele, não ter concedido nenhum reajuste salarial aos servidores públicos até o momento, com o primeiro semestre já próximo do fim. A principal bandeira do parlamentar foi a reivindicação para que seja implantado o piso salarial nacional dos professores de 2026.
"Estou fazendo a cobrança dessa Casa de Leis para que a gente cobre o direito do servidor público, principalmente da educação do município de Porto Velho, que até hoje não implantaram o piso salarial de 2026", cobrou o vereador.
A fala foi além da pauta financeira e questionou a postura da prefeitura durante a negociação com o sindicato dos servidores. Marcos Combate afirmou que o município estaria impondo restrições à participação popular, limitando a entrada do sindicato a apenas cinco membros e proibindo a entrada de celulares na reunião. "O que o município quer esconder? Se é uma reunião pública, uma reunião de interesse público da sociedade", questionou.
Contexto das denúncias
As acusações se somam a um histórico de embates entre o vereador e o Poder Executivo municipal. Recentemente, Combate protocolou um pedido de impeachment contra o prefeito Léo Moraes, fundamentado em suspeitas de irregularidades administrativas e fiscais, e já havia denunciado suposto uso da máquina pública para fins políticos relacionados ao irmão do chefe do Executivo.
Próximos Passos
Com as denúncias lançadas em plenário, a palavra agora é com os órgãos de controle e o Poder Judiciário. Caso as investigações avancem e as suspeitas se confirmem, os envolvidos podem responder por improbidade administrativa, abuso de poder político e, no caso da coação eleitoral, por crime contra a ordem política, já que a legislação brasileira proíbe a utilização da máquina pública para coagir servidores em campanhas. O caso também pode parar na Justiça Eleitoral, especialmente diante das eleições estaduais.


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