DIA NACIONAL: Biblioteca Estadual José Pontes Pinto organiza brinquedoteca e segue recebendo doações

Seção de histórias na Biblioteca Estadual Pontes Pinto, que agora facilita o acesso a deficientes visuais

Porto Velho, RO - Os leitores da Biblioteca Estadual José Pontes Pinto têm motivos para comemorar neste sábado (9) o Dia Nacional da Biblioteca. O principal objetivo deste 9 de abril, em todo o País é incentivar a leitura como ferramenta base para a educação e formação dos indivíduos. A Biblioteca está localizada na Avenida Farquhar n° 1793, Bairro Arigolândia.

A diretora da biblioteca, Julia Cristina Meinhardt, lembra que na condição de biblioteca estadual, a Pontes Pinto é depositária do conhecimento dos autores regionais. A editora Edufro, da Universidade Federal de Rondônia – Unir, por exemplo, tem a oportunidade de oferecer livros de seus autores para divulgação e leitura.

“Após a pandemia demos sequência a diversas atividades de reestruturação”, disse a presidente da Fundação Cultural do Estado de Rondônia – Funcer, Simone Bitencourt, a qual a biblioteca está vinculada. Ela está entusiasmada com os resultados: “De passo em passo, vamos melhorar ainda mais a fachada do prédio e os espaços internos”, anunciou.

O acervo atacado por fungos e logo recuperado foi um feito inesquecível. A direção teve que enviar centenas de livros para o Prédio do Relógio e Casa de Cultura Ivan Marrocos.

DEFICIENTES VISUAIS

Ao mesmo tempo aconteciam outras modificações, adequações e melhorias que dão mais visibilidade ao espaço: o acervo para deficientes visuais, por exemplo.

Um deficiente visual poderá chegar ao local acompanhado e ambos consultarão o acervo. “Por ainda não saberem dessa disponibilidade, muitos deles ainda consultam e-books”, constata a estagiária Kelly Eloísa Chaves.

Animada com o atual momento da biblioteca, ela elogia a modernização dos serviços on-line que também se estendem à cultura, mas não abre mão do impresso: “O físico não dói”, comenta.

Segundo informa Kelly Chaves, o ritmo de doações prossegue normalmente, da literatura em geral a livros jurídicos.

“Dona Auxiliadora, em nome da família do escritor Vitor Hugo (autor de Os desbravadores), doou mais de 500 exemplares de obras da antiga biblioteca particular dele”, assinala Kelly.

Além do apoio local, a biblioteca recebe acervos literários facilitados pela Lei Aldir Blanc. Dispõe de rede de acesso à internet.

Segundo Julia Meinhard, um dos consideráveis avanços são as parcerias com a Unir, uma delas, o projeto de incentivo à leitura a cargo de acadêmicos quintanistas do curso de Biblioteconomia.

“E o público infantil trazido por escolas já foi incentivado a permanecer uma hora lendo, aqui na biblioteca, recebendo como prêmio pela dedicação cestas com doces e livros”, ela conta.

Todo o esforço no sentido de apoiar adultos em suas leituras e pesquisas tem relação com o passado da biblioteca. Em 1976, a professora Maria Madalena Naimaier Duarte fazia o possível para incrementar o hábito da leitura e a frequência à biblioteca. Ao mesmo tempo, proporcionava atividades artísticas e culturais aos alunos e lançava o concurso “Leitor mais assíduo”, com ativa participação das três únicas bibliotecas, até então existentes na cidade.

Julia Meinhardt acredita ter sido uma boa forma de as crianças e jovens se interessarem também por retornar à biblioteca no período em que celulares e vídeos tomam conta do tempo delas. Ela destaca o apoio da Secretaria de Estado da Educação – Seduc, ao Projeto “Roteiro Educativo”, que transportará brevemente de ônibus até a biblioteca, estudantes fora do eixo da BR-364. Ainda não foi definida a data da estreia.

Fachada da antiga biblioteca, que foi inaugurada em 1975

A diretora da biblioteca explica que o sistema de informações Gnuteca foi criado para cadastrar a síntese de todos os livros, e atualmente, mais de 500 títulos de obras já podem ser consultados.

Em andamento, o projeto da brinquedoteca também facilitará o acesso de pais e mães que consultam a biblioteca sem tempo suficiente para cuidar dos filhos pequenos. “Trata-se de um grande auxílio à forma de educar pelo lúdico, melhorando o psicomotor de cada um, mudando para melhor o desenvolvimento da criança”, assinala Zemed Silva Júnior, que trabalha no projeto com Aline Schumann e Gilney Rayer.

QUEM FOI PONTES PINTO

A biblioteca foi criada pelo Decreto n° 748, de 30 de abril de 1975, registrada no então Instituto Nacional do Livro em 21 de maio de 1976, e na Biblioteca Nacional; seu nome homenageia o paraense José Pontes Pinto.

Natural de Belém, além de exercer cargos no governo daquele estado, Pontes Pinto foi professor e diretor de educação no Governo de Petrônio Barcelos, de 1951 a 1952; assessor jurídico da Mineração Massangana, a partir de abril de 1965; depois foi assessor jurídico da Câmara Municipal em sua 1ª legislatura e redator do extinto jornal O Guaporé.

Auxiliado pelo professor e jornalista Oderlo Beleza Serpa, organizou e criou a primeira biblioteca pública de Porto Velho, denominada Raimundo de Morais. Pontes Pinto morreu em 21 de janeiro de 1975, no Rio de Janeiro.

“Falar da biblioteca Dr. José Pontes Pinto é falar do mais completo centro de informação que existe hoje sobre a literatura de Rondônia”, escreveu o acadêmico de Letras e usuário Matias Mendes, na introdução da publicação lançada em 1984.

Nela é lembrada a autora do livro Síntese da literatura de Rondônia, Anita Julien, assim descrita por Mendes: “Pessoa admirável e dotada de invulgar capacidade e rara dedicação”. Foi ela quem incentivou a todos os bibliotecários a valorização da classe.

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